Pular para o conteúdo principal

Psicóloga Lilian Reis

Relacionamento à distância: de onde vem a ansiedade?

Mulher olhando pela janela à noite segurando o celular iluminado, com um fio dourado atravessando o oceano até o horizonte, simbolizando o relacionamento à distância

Você já contou as horas até a próxima ligação e sentiu um aperto no peito sem saber explicar por quê?

Se o seu namoro é um relacionamento à distância — ainda mais com fuso horário, passaporte e oceano no meio — essa sensação tem nome. E não é fraqueza sua.

A saudade que aperta é real. Assim, quando ela vira uma ansiedade que não desliga, dá pra entender de onde vem e cuidar dela com calma.

De onde vem a ansiedade no relacionamento à distância?

Segundo a psicóloga Daniela Gilardi Torres Marques, sentir-se constantemente preocupada por causa da distância costuma ser sinal de desgaste emocional. No entanto, quando a comunicação é aberta e vocês se sentem conectados apesar da separação, isso já é um bom indício.

Ou seja, a ansiedade nem sempre fala sobre o relacionamento em si. Muitas vezes, ela fala de um jeito antigo de amar com medo de ser deixada, algo que já expliquei melhor no texto sobre apego ansioso aqui do blog.

Sinais de que a distância está pesando demais

Por isso, alguns sinais merecem atenção:

  • Checar o celular a cada poucos minutos esperando resposta.
  • Imaginar o pior durante um silêncio de horas.
  • Sentir mais ansiedade do que conexão depois de uma ligação.
  • Comparar o namoro com o de casais que moram na mesma cidade.
  • Duvidar do relacionamento toda vez que a agenda dos dois não combina.

Nenhum desses sinais, sozinho, é motivo de alarme. Apesar disso, quando vários aparecem juntos e com frequência, vale parar e observar com mais cuidado.

Reconhecer esses sinais não é dramatizar a situação. É dar nome a um cansaço real, que muitas vezes você nem sabia que podia colocar em palavras.

Duas mãos se tocando através de uma tela translúcida com um mapa-múndi ao fundo, representando a distância no relacionamento à distância

O que sustenta um relacionamento à distância saudável?

A psicóloga Tatiana Festi, especialista em relacionamentos interculturais e imigração, defende que a base de tudo é a confiança, não o controle. Ela recomenda transparência através do diálogo, em vez de tentar vigiar cada passo de quem está longe.

Além disso, Festi sugere combinar com clareza quando e como vocês vão conversar. Essa previsibilidade, segundo ela, já reduz boa parte da ansiedade do dia a dia.

Por exemplo, também ajuda usar a criatividade: assistir ao mesmo filme, ler o mesmo livro, ou contar como foi o dia com detalhes. Pequenos rituais criam proximidade mesmo com quilômetros no meio.

Dessa forma, ter projetos e planos de reencontro em comum dá um horizonte pra saudade. A distância vira uma fase, não um estado permanente sem previsão de mudar.

Quando o namoro internacional soma outra camada

Quando um dos dois mora fora do Brasil, a ansiedade do relacionamento à distância se mistura com a dor da migração. Já vi isso de perto: pacientes que enfrentam a solidão do brasileiro no exterior enquanto tentam sustentar um namoro por chamada de vídeo.

Também é comum surgir a culpa de estar longe da família nesse meio-tempo. Por isso, cuidar dessa ansiedade passa por cuidar dessas outras camadas emocionais também.

Como eu cuido disso na Gestalt-terapia?

Na Gestalt-terapia, eu não trato essa ansiedade como exagero seu. Trato como uma resposta que faz sentido diante da incerteza real que a distância impõe.

Trabalho com você pra diferenciar o que é saudade genuína do que é medo antigo se repetindo. Assim, fica mais fácil sustentar o vínculo sem se esgotar no processo.

Atendo pacientes de todo o Brasil e também brasileiros no exterior, 100% online.

Se a distância está pesando mais do que deveria, você não precisa segurar isso sozinha.

Me chama no WhatsApp. Vou te ouvir com calma e sem julgamento. 💜

Com carinho,
Lilian Reis — Psicóloga e Gestalt-terapeuta · CRP 05/34846

Deixe um comentário