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Psicóloga Lilian Reis

Solidão do brasileiro no exterior: por que dói tanto?

Mulher brasileira olhando pela janela em cidade estrangeira, simbolizando a solidão do brasileiro no exterior

Você mudou de país atrás de uma vida melhor. De fora, parece que deu certo: outra moeda, outra paisagem, novas oportunidades. Mas, por dentro, existe uma solidão do brasileiro no exterior que ninguém em casa entende. Também é difícil explicar isso pra quem ficou, porque na aparência está tudo bem. Além disso, essa solidão não é frescura, nem falta de gratidão pela escolha que você fez. Ela tem nome, tem explicação, e tem caminho.

Não é frescura, tem nome: estresse de aculturação

O psicólogo John Berry descreveu esse fenômeno como estresse de aculturação. Aliás, ele publicou o estudo na revista Perspectives on Psychological Science, da Sage Publications. Segundo Berry, morar numa cultura nova mexe com quatro áreas ao mesmo tempo. São elas: o corpo, os vínculos sociais, os costumes e a rotina financeira. Naturalmente, cada uma dessas áreas pede adaptação. Por isso, mesmo quando a vida material melhora, a solidão do brasileiro no exterior aparece. Assim, a cabeça e o coração ainda estão se ajustando ao novo lugar.

Você não está sozinha: o brasileiro no exterior é maioria

Aliás, o Itamaraty confirma o tamanho desse movimento. Segundo o Relatório Consular Anual, noticiado pelo BE News, o Brasil tem hoje 5,29 milhões de pessoas vivendo fora do país. Além disso, é um recorde, com destaque para Estados Unidos, Portugal e Paraguai. Ou seja, milhões de brasileiros sentem essa mesma solidão todos os dias. Mesmo assim, cada um vive isso como se fosse o único. Afinal, a distância física corta o contato do dia a dia. As chamadas de vídeo ajudam, mas não substituem um abraço.

Quando a solidão vira perda de quem você era

Com o tempo, essa solidão do brasileiro no exterior costuma trazer outra dor. Na prática, é a sensação de não saber mais quem você é. Isso acontece porque, lá fora, muita gente perde a rede que sustentava sua identidade. Por exemplo, somem os amigos de infância, a família por perto, o humor que só quem é da sua terra entende. Aliás, esse processo anda perto do que escrevi sobre perda de identidade. Quando o ambiente muda, e você não tem apoio pra se reconstruir, é fácil se perder de si mesma.

Sinais de que a solidão já pesa demais

Alguns sinais merecem atenção:

  • Você sente um vazio mesmo cercada de gente nova.
  • Evita fazer planos porque “ninguém vai entender do jeito que os daqui entendiam”.
  • Chora sozinha depois das ligações com a família no Brasil.
  • Sente culpa por estar “bem” no exterior e triste ao mesmo tempo.
  • Perdeu a vontade de tentar se conectar com gente nova.

Se você se reconheceu em algum desses pontos, respira. Essa dor é real, e também é comum. Assim, reconhecer isso já ajuda a soltar um pouco do peso da culpa.

Como o brasileiro no exterior pode cuidar dessa solidão?

Pássaro migratório separado do bando, representando o isolamento de um brasileiro no exterior longe do Brasil

Apesar disso, a boa notícia é que dá pra cuidar dessa solidão do brasileiro no exterior mesmo estando longe do Brasil. Primeiro, vale nomear a dor, sem se cobrar por sentir. Depois, ajuda muito manter pelo menos um elo com sua cultura. Por exemplo, pode ser uma comida, uma música, um grupo de brasileiros na sua região. Mas, na maior parte das vezes, esse processo pede também um espaço só seu.

Ou seja, um espaço pra colocar tudo pra fora com alguém que entende a cultura brasileira por dentro. Na Gestalt-terapia, eu cuido dessa reconstrução com você. Damos nome ao que dói, resgatamos sua identidade e criamos raízes novas, mesmo estando longe de casa.

Além disso, atendo brasileiros no Brasil e no exterior, 100% online. Se essa solidão tem pesado na sua vida, você não precisa atravessar isso sozinha.

Se quiser conversar sobre como funciona a terapia, me chama no WhatsApp. Vou te ouvir com calma e sem julgamento. 💜

Com carinho,
Lilian Reis — Psicóloga e Gestalt-terapeuta · CRP 05/34846

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