Você já se pegou pensando “de novo isso” depois de terminar mais um relacionamento que machucou do mesmo jeito que o anterior?
Se essa pergunta é familiar, talvez você esteja lidando com autossabotagem amorosa. E quero começar dizendo uma coisa: isso não é falta de sorte, nem falha de caráter.
É um padrão que se repete porque, em algum nível, ele é familiar. Padrões que a gente reconhece podem ser revistos.
De onde vem a autossabotagem amorosa?
Segundo a psicóloga e psicanalista Lisiane Hadlich Machado, os padrões inconscientes que guiam nossas escolhas amorosas nascem ainda na infância. Quem cresceu num ambiente em que o amor vinha condicionado a certos comportamentos tende a se sentir atraída, mais tarde, por parceiros parecidos.
Ou seja, a escolha raramente é sobre o parceiro em si. Ela fala de uma dinâmica antiga, aprendida bem antes dessa relação começar, que o corpo ainda reconhece como “lar”, mesmo quando dói.
Por isso, entender essa origem já é um primeiro passo importante. Ele tira o peso da autoculpa e abre espaço pra uma pergunta mais útil: o que em mim reconhece esse vínculo como familiar?
Sinais de autossabotagem amorosa no dia a dia
O psicanalista Jansen Santana descreve esse padrão como a sensação de ter “dedo podre” pro amor. Ou seja, a pessoa se vê atraída, seguidas vezes, por parceiros que ela sabe, racionalmente, que vão machucar.
Alguns sinais comuns desse padrão:
- Atração repetida pelo mesmo “tipo” de parceiro, mesmo sabendo que não faz bem.
- Medo de compromisso que aparece assim que a relação começa a se aprofundar.
- Sabotar um vínculo bom: procurar defeito, provocar briga, sumir sem explicação.
- Terminar relações saudáveis por “tédio” e permanecer nas que doem.
- Repetir os mesmos temas de discussão em relações completamente diferentes.
Esse padrão anda de mãos dadas com o apego ansioso, que já expliquei em outro texto aqui do blog. Também aparece em quem tem dificuldade de sair de um relacionamento que machuca.
Isso tem nome: compulsão à repetição
O psicanalista Jansen Santana explica que Freud chamou esse fenômeno de compulsão à repetição. É uma força inconsciente que nos leva a reviver, sem perceber, emoções mal resolvidas do passado.
Por isso, o parceiro que machuca não é escolhido ao acaso. Ele vira, sem que a gente saiba, um palco onde tentamos resolver uma dor antiga.
No entanto, esse final raramente muda sozinho. Ele muda quando a gente para de repetir o roteiro no automático e começa a escrever um novo, com consciência.
Como começar a mudar esse padrão?

Primeiro, vale reconhecer o padrão assim que ele aparece, de preferência antes de a relação engatar de vez. Perceber esse sinal cedo já muda bastante a resposta que você dá a ele.
Além disso, desconfie um pouco da intensidade logo no início. Quando tudo é rápido e “perfeito demais” já na primeira semana, vale observar com calma, em vez de comemorar sem questionar.
Por exemplo, também ajuda notar o corpo. Aquele alívio estranho quando alguém indisponível aparece, ou o tédio quando alguém disponível se aproxima, geralmente diz mais que qualquer justificativa consciente.
Esse cuidado vale ainda mais pra quem já percebeu que não consegue sair de um relacionamento que machuca, tema que também já abordei por aqui.
Dessa forma, com o tempo e apoio certo, dá pra trocar a familiaridade da dor pela construção de um vínculo que realmente cuida de você.
Como eu cuido disso na Gestalt-terapia
Na Gestalt-terapia, eu não trato a autossabotagem amorosa como um defeito seu. Trato como uma resposta que fez sentido em algum momento da sua história, e que hoje pode ser revista com calma.
Trabalho junto com você pra perceber o que te atrai nesses vínculos que machucam. Assim, fica mais fácil construir relações a partir de segurança, não de familiaridade com a dor.
Atendo pacientes de todo o Brasil e também brasileiros no exterior, 100% online.
Se você reconhece esse padrão na sua história, você não precisa lidar com isso sozinha.
Me chama no WhatsApp. Vou te ouvir com calma e sem julgamento. 💜
Com carinho,
Lilian Reis — Psicóloga e Gestalt-terapeuta · CRP 05/34846
