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Psicóloga Lilian Reis

Casais Imigrantes: Por Que o Amor Esfria no Exterior?

Mulher observando dois pássaros voando em direções diferentes, simbolizando o desafio de casais imigrantes

Vocês decidiram imigrar juntos, cheios de sonho e coragem. Alguns anos depois, mal se reconhecem dentro do mesmo apartamento. Se isso descreve o que vocês vivem, saiba de uma coisa: casais imigrantes enfrentam um desgaste que quase ninguém fala em voz alta.

Não é falta de amor. Também não é fraqueza de nenhum dos dois. A mudança de país mexe com tudo ao mesmo tempo — trabalho, idioma, rede de apoio, identidade.

Além disso, nem sempre os dois se ajustam no mesmo ritmo. Por isso, o casal sente essa diferença antes mesmo de entender de onde ela vem.

No entanto, quase ninguém avisa isso antes da mudança. A maioria só descobre esse desgaste depois que já está longe de casa, sem rede de apoio por perto.

Por que tantos casais imigrantes se separam?

Uma reportagem do Jornal de Toronto, de 2024, mostrou algo que eu reconheço direto no consultório. O desequilíbrio de adaptação entre os dois é um dos motivos centrais de separação entre brasileiros no exterior. Um aprende o idioma mais rápido, arruma emprego, faz amigos novos.

O outro fica pra trás, isolado, dependente do parceiro pra tudo. Assim, a distância emocional cresce, mesmo morando sob o mesmo teto.

Além disso, a sobrecarga financeira e idiomática pesa muito mais em quem chegou por último ao processo. Geralmente é quem seguiu o parceiro por causa do trabalho ou do visto dele.

O peso de ser o “cônjuge que segue”

Existe até um nome pra essa dor: trailing spouse, o cônjuge que se muda por causa da carreira do outro. No caminho, essa pessoa perde emprego, rede social e um pedaço da própria identidade. Uma reportagem da Al Jazeera trouxe relatos de mulheres descrevendo exatamente isso.

“Minha identidade foi embora”, disse uma delas, junto com a mudança de país. Não é exagero: é o retrato de uma perda real.

Por isso, quando um dos dois carrega sozinho o peso emocional da mudança, o casal inteiro sente o desgaste. No entanto, essa dor raramente é nomeada — vira briga por qualquer motivo pequeno, sem que ninguém entenda a real causa.

Ritmos diferentes de adaptação, mesma casa

Uma pesquisa científica brasileira, publicada na revista RECIMA21, descreve a imigração de um jeito que eu gosto muito. Ela não trata a mudança como um desafio individual, mas como uma reorganização inteira do relacionamento. Papéis, comunicação e expectativas mudam de lugar ao mesmo tempo.

Segundo os pesquisadores, ritmos diferentes de aculturação entre os dois costumam intensificar a tensão conjugal. É exatamente o que vejo acontecer com muitos casais imigrantes que atendo.

Ou seja: não é que vocês pararam de se entender. Vocês estão, isso sim, em fases diferentes de uma mesma travessia.

Por exemplo, um já fala a língua nova com fluência enquanto o outro ainda trava no básico. Isso também mexe com a autoestima de quem está aprendendo mais devagar.

Como fortalecer o relacionamento entre casais imigrantes?

Duas mãos segurando um mapa e uma bússola, representando casais imigrantes tentando realinhar os caminhos

A boa notícia é que a mesma pesquisa mostra outro caminho possível. Casais que nomeiam o estresse juntos, e dividem a adaptação como um projeto de dois, costumam sair dessa fase mais fortes — não mais frágeis.

Dessa forma, a crise vira ponte, em vez de rachadura.

Na Gestalt-terapia, eu trabalho isso com casais e também com quem enfrenta essa fase sozinho. Nomear o que dói, sem culpa, é o primeiro passo pra reconstruir a conexão. Apesar disso, cada história pede um caminho diferente — não existe fórmula pronta pra todo mundo.

Se você reconhece essa distância crescendo entre vocês, ou sente que virou o “cônjuge que segue” na própria vida, eu atendo brasileiros no exterior 100% online. Você pode me chamar no WhatsApp e conversamos com calma, sem pressa e sem julgamento.

Esse tema conversa direto com outras dores que já trouxe aqui: a solidão do brasileiro no exterior e o luto migratório. Vale a leitura se isso também ecoa em você.

Com carinho,
Lilian Reis — Psicóloga e Gestalt-terapeuta · CRP 05/34846

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