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Psicóloga Lilian Reis

Autoestima Após Relacionamento Abusivo: Como Reconstruir

Mulher se afastando de um espelho quebrado com o rosto sereno, simbolizando a autoestima depois de um relacionamento abusivo

Você já se pegou duvidando de decisões simples, tipo o que vestir? Ou o que responder num grupo de amigas, depois de sair de um relacionamento que te machucou? Talvez você já tenha se sentido pequena, feia, burra, incapaz. Palavras que talvez nem sejam suas, mas que ficaram ecoando na sua cabeça. Se a sua autoestima despencou depois de um relacionamento abusivo, quero te dizer uma coisa antes de qualquer explicação. Isso não é frescura, nem fraqueza de caráter. É uma ferida real, com origem clara. E ela tem conserto.

Por que a autoestima despenca depois de um relacionamento abusivo

Você não está sozinha nisso. Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2024, mostrou algo importante. 37,5% das mulheres brasileiras, mais de 21 milhões, sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses. Insultos e humilhações apareceram entre as formas mais comuns, segundo reportagem da Terra. A terapeuta Mayra Cardozo explica, na mesma reportagem, que esse tipo de agressão corrói a autoestima aos poucos, de forma silenciosa. Muitas mulheres aprendem, dentro da relação, a duvidar das próprias emoções e do próprio valor. Isso acontece porque a autoestima foi construída sob o olhar do outro. Sem esse olhar, sobra um vazio. E a sensação de não saber mais quem você é.

O mecanismo por trás dessa ferida

Segundo o Blog Quebrando as Algemas, especializado em recuperação de relacionamentos abusivos, a queda da autoestima não é acaso. Também não é fragilidade sua. Ela nasce de um padrão repetido: críticas constantes e negação da sua percepção da realidade. É o famoso “isso nunca aconteceu” ou “você está exagerando”. Junto com isso, vêm fases de carinho que alternam com fases de frieza. Com o tempo, seu cérebro aprende a esperar o pior de si mesma. A boa notícia é que esse aprendizado pode ser desfeito. Não da noite para o dia, mas aos poucos, com paciência e apoio certo.

Sinais de que essa ferida ainda está aberta

Alguns sinais aparecem com frequência em quem carrega essa dor:

  • Sentir insegurança até em decisões pequenas, tipo o que pedir num restaurante.
  • Ouvir, na sua cabeça, críticas antigas do outro repetindo em loop.
  • Sentir vergonha de contar o que viveu, como se a culpa fosse sua.
  • Ter medo de confiar de novo, em você mesma ou em outra pessoa.
  • Se sentir “quebrada”, mesmo sabendo, racionalmente, que não fez nada de errado.

Se você se reconheceu em algum desses sinais, respira. Reconhecer já é coragem.

Como começar a reconstruir sua autoestima

O primeiro passo é nomear o que você viveu, sem minimizar. Chame de abuso o que foi abuso. Isso tira o peso da culpa das suas costas. E devolve esse peso pra onde ele sempre pertenceu. Depois, vale reaprender a confiar no que você sente. A cada incômodo reconhecido, você costura de novo o fio entre você e você mesma. Diga pra si mesma: “isso não está certo pra mim”. Também ajuda reativar pedaços de quem você era antes: um hobby, uma amizade, uma rotina que depende só de você. E, aos poucos, treine limites pequenos. Diga não pra coisas simples, até seu corpo aprender que dizer não não te deixa sozinha.

Como eu cuido disso na Gestalt-terapia?

Mãos reunindo cacos de vidro que brilham, representando a reconstrução da autoestima depois de um relacionamento abusivo

Na Gestalt-terapia, eu não trato a sua autoestima ferida como um defeito pra consertar. Trato como uma resposta que fez sentido dentro daquela relação. E que hoje pode ser revista com calma. Trabalho junto com você pra reconstruir a confiança no que sente. Também ajudo a reconhecer os próprios limites e a reencontrar a identidade que, muitas vezes, se perde dentro de um relacionamento que machuca. Já escrevi sobre a perda de identidade no relacionamento. Também escrevi sobre por que é tão difícil sair de um relacionamento que machuca. Os três temas caminham juntos, e é bem provável que você se reconheça em mais de um deles.

Se essa ferida ainda dói, você não precisa cuidar dela sozinha. Me chama no WhatsApp. Vou te ouvir com calma e sem julgamento. 💜

Com carinho,
Lilian Reis — Psicóloga e Gestalt-terapeuta · CRP 05/34846

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