Você já sentiu um aperto no peito só porque alguém demorou pra responder uma mensagem? Ou ficou em silêncio esperando a pessoa perceber que você precisa de atenção, com medo de parecer carente demais? Se isso te descreve, talvez você conviva com o medo de abandono nos relacionamentos. Quero te dizer uma coisa antes de qualquer explicação: isso não é fraqueza. Não é drama. Não é carência exagerada. É uma ferida com nome e com origem.
De onde vem o medo de abandono nos relacionamentos
Esse medo tem base na teoria do apego. O psicólogo John Bowlby criou essa teoria. Segundo o Instituto de Psiquiatria do Paraná, Bowlby estudou como bebês reagem quando ficam longe dos pais. Ele viu que esse primeiro vínculo molda a forma como você se relaciona na vida adulta. Depois, a psicóloga Mary Ainsworth descreveu diferentes tipos de apego. Um deles é o apego ambivalente. Nele, existe um grande medo do abandono e uma forte tendência à dependência emocional. Ou seja, esse padrão nasce cedo, muitas vezes na infância. Ele aparece quando o cuidado que você recebeu foi instável: às vezes por perto, às vezes longe. Seu corpo aprendeu a ficar em alerta, porque nunca sabia quando o cuidado ia faltar.
Como o medo de abandono aparece no dia a dia?
Esse padrão não aparece só como ciúme. Ele tem várias caras, e nem sempre você reconhece o próprio comportamento nele. Alguns sinais comuns:
- Checar o celular sem parar, esperando resposta.
- Interpretar um silêncio como sinal de rejeição.
- Sentir um alívio desproporcional quando a pessoa volta a falar com você.
- Buscar reasseguramento constante, tipo “você ainda gosta de mim?”.
- Ter dificuldade de acreditar no carinho do outro, mesmo diante de provas claras.
Segundo o psicólogo Paulo Henrique Bernardes Lopes, da Figura e Fundo Psicologia, esse alarme interno tem uma origem simples. Quando você era criança, aprendeu a chorar mais alto, a pedir mais colo, pra garantir atenção. Esse jeito de reagir fazia sentido lá atrás. Hoje ele continua ligado. Mesmo quando a pessoa ao seu lado está por perto e cuida bem de você.
O alarme é antigo, mesmo quando o medo parece atual
Aqui mora a virada importante: nem todo alerta que você sente hoje é sobre o presente. Muitas vezes o gatilho é real, como uma mensagem sem resposta. Mas o tamanho do medo pertence ao passado. Por isso, separar fato de interpretação ajuda bastante. Pergunte pra você mesma: o que eu sei de verdade agora? E o que é história que estou contando na minha cabeça?
Como lidar com o medo de abandono nos relacionamentos?
Primeiro, vale reconhecer o sinal no corpo. O medo de abandono quase sempre chega como sensação física antes de virar pensamento: peito apertado, respiração curta, um nó na garganta. Perceber isso cedo já muda a resposta. Depois, comunique a necessidade direto, sem rodeio. Trocar o silêncio cobrado por um “preciso de atenção agora” fortalece a relação, em vez de desgastar ela. Também ajuda construir uma vida com raízes próprias: amizades, interesses e rotina que não dependem só do parceiro pra ter sentido. Isso vale pra quem já tem um relacionamento estável. E vale ainda mais pra quem vê esse medo se repetir, relacionamento após relacionamento, às vezes travando a saída de vínculos que machucam. Já escrevi sobre por que é tão difícil sair de um relacionamento que machuca. Também escrevi sobre a perda da própria identidade dentro da relação. Os três temas costumam andar juntos.
Como eu cuido disso na Gestalt-terapia?

Na Gestalt-terapia, eu não trato o medo de abandono como um defeito seu. Trato como uma resposta que fez sentido em algum momento da sua história, e que hoje pode ser revista. Trabalho junto com você pra perceber o que acontece no corpo quando o medo aparece. Assim, fica mais fácil separar o gatilho real da narrativa amplificada, e construir contato genuíno nos relacionamentos: nem fusão, nem distância. Atendo pacientes de todo o Brasil e também brasileiros no exterior, 100% online.
Se esse medo tem pesado nos seus relacionamentos, você não precisa lidar com isso sozinha. Me chama no WhatsApp. Vou te ouvir com calma e sem julgamento. 💜
Com carinho,
Lilian Reis — Psicóloga e Gestalt-terapeuta · CRP 05/34846
