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Psicóloga Lilian Reis

Relacionamento abusivo: como reconhecer o ciclo e se libertar

Relacionamento Abusivo

Poucas coisas doem tanto quanto perceber que o lugar que deveria ser de cuidado virou o lugar que mais te machuca. Se você desconfia que está (ou esteve) em um relacionamento abusivo — ou se ama alguém que parece preso nessa situação —, este texto é pra você. Vou falar com acolhimento, mas também com fatos, porque entender o que acontece é o primeiro passo para se libertar.

Não é exagero seu

Antes de tudo: você não está sozinha, e isso não é “frescura”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em um dos maiores estudos já feitos sobre o tema — com dados de 161 países —, quase 1 em cada 3 mulheres no mundo já sofreu violência física e/ou sexual ao longo da vida, na maioria das vezes cometida por um parceiro íntimo. É um problema de saúde pública, não um caso isolado.

O que é (e o que muita gente não enxerga como) abuso?

Quando se fala em relacionamento abusivo, muita gente pensa só em agressão física. Mas o abuso quase sempre começa bem antes, de forma mais silenciosa: o ciúme que controla, a humilhação disfarçada de “brincadeira”, o afastamento dos amigos e da família, a chantagem emocional, o “você está louca, isso não aconteceu” (o famoso gaslighting), o controle do dinheiro, das roupas, das companhias.

Violência psicológica, moral e patrimonial também machucam — e deixam marcas que ninguém vê de fora.

O ciclo da violência: por que é tão difícil sair?

Uma das coisas que mais ajuda a entender por que sair é tão difícil é o ciclo da violência, descrito pela psicóloga Lenore Walker e muito bem explicado pelo Instituto Maria da Penha. Ele costuma ter três fases que se repetem:

  1. Aumento da tensão. O parceiro fica irritado por qualquer coisa, faz ameaças, humilha, quebra objetos. Você anda “pisando em ovos”, tentando agradar para evitar a explosão.
  2. Explosão. A tensão estoura na agressão — verbal, física, psicológica. É o momento mais visível e o mais doloroso.
  3. Lua de mel. Vem o arrependimento: ele chora, promete que vai mudar, volta a ser carinhoso. E é aqui que mora a armadilha — essa fase faz você acreditar que “dessa vez vai ser diferente”.

O problema é que o ciclo se repete. E, com o tempo, os intervalos entre as fases ficam menores e a violência tende a aumentar. Por isso sair não é “só uma questão de vontade”: existe um mecanismo emocional muito real prendendo a pessoa ali.

A ponte com a dependência emocional

A fase da lua de mel se conecta com algo que trabalho muito nos meus atendimentos: a dependência emocional. Quando a sua autoestima foi minada aos poucos, quando você foi convencida de que “não dá conta sozinha”, o medo de partir fala mais alto que a dor de ficar. Não é burrice nem fraqueza. É uma ferida emocional — e feridas pedem cuidado, não julgamento.

Sinais de alerta que costumo observar

  • Você sente medo de como ele vai reagir às coisas mais simples.
  • Se afastou de amigos e familiares (por ele, ou para evitar conflito).
  • Duvida da própria memória e do próprio julgamento.
  • Pede desculpas o tempo todo, até pelo que não fez.
  • Sente alívio nos dias “bons” e vive na expectativa do próximo dia ruim.

Se você se reconheceu em alguns desses, respira. Reconhecer já é um ato de coragem enorme.

Se há risco, a segurança vem primeiro

Preciso ser clara: se existe violência física ou risco à sua segurança, buscar proteção vem em primeiro lugar. No Brasil, você pode ligar para a Central de Atendimento à Mulher — o Ligue 180 — de forma gratuita e sigilosa, 24 horas por dia. A Lei Maria da Penha existe para te proteger. A terapia caminha junto, mas não substitui a sua segurança imediata.

Tem saída — e você não precisa fazer sozinha

E há esperança — eu vejo isso acontecer. Romper o ciclo é possível, mas dificilmente se faz sozinha, e tudo bem precisar de apoio. No meu trabalho, com a Gestalt-terapia, a gente cuida da parte emocional: reconstruir a autoestima, reaprender a confiar em você mesma, entender os padrões que te prenderam e descobrir que você merece um amor que não dói.

Se a relação acabou e a dor parece não passar, talvez não seja só saudade.

Atendo 100% online, para todo o Brasil. Se este texto mexeu com você — ou se você quer ajudar alguém que ama —, dar o primeiro passo pode mudar tudo. Você não precisa ter todas as respostas agora. Só precisa começar.

Se quiser conversar sobre como funciona a terapia, me chama no WhatsApp. Vou te ouvir com calma e sem julgamento. 💜

Com carinho,
Lilian Reis — Psicóloga e Gestalt-terapeuta · CRP 05/34846

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